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Relato da entrevista

11/07/2010

Finalmente tiramos um tempo para escrever !

Nossa entrevista era no dia 23/06, decidimos chegar em SP no dia 22/06 para termos tempo de nos acalmarmos e também se caso algo desse errado (muito errado) teríamos tempo para organizar as coisas.

Assim que chegamos, em torno do meio dia, fomos direto de Guarulhos para o hotel. Escolhemos o Formule 1 , um hotel em frente ao shopping Morumbi, com quartos bastante enxutos porém com preço beeeem mais acessível que o normal.

A idéia era utilizar o dia 22 para descansar e treinar novamente as possíveis questões/respostas. Saímos somente para almoçar. Como não poderia deixar de ser, a noite de sono não foi muito boa, a ansiedade era grande.

Acordamos no dia 23, arrumamos as roupas que vestiríamos para a entrevista, almoçamos, nos mudamos e fomos para o escritório de imigração. Chegamos em torno das 13:30 e nosso horário era somente as 15:30, resolvemos então tomar um café no “Nyc Nyc Sandwich Bar”.

Após o café ( que nos custou o olho da cara ) subimos para o tão famoso décimo quinto andar, entramos no escritório, nos apresentamos e sentamos na sala de espera. Aguardando o seu horário (das 14:30) estava o Cláudio, começamos a conversar um pouco e após um bom tempo ele foi chamado.

Equanto ele era entrevistado eu até estava calmo, foi quando o Cláudio saiu da sala que comecei a ficar nervoso, muito nervoso, extremamente nervoso, como há tempos não me sentia. A porta ficou entreaberta e percebemos que a entrevistadora estava revisando os detalhes para a nossa entrevista, o que aparentemente consistia na leitura de um resumo do nosso perfil.

Cerca de uns 10 minutos ( longuíssimos ! ) após, ouvimos um arrastar de cadeira e vimos que era chegado o grande momento !

/* —–   A PARTIR DAQUI TODAS AS FALAS FORAM EM FRANCÊS —– */

Aquela jovem mulher se dirigiu a nós dois, nos cumprimentou dizendo seu nome ( Marlène Charron-Geadah ) e que poderíamos nos dirigir à sala. Ao sentarmos ela seguiu o protocolo e nos informou que ali estávamos para checar os documentos originais assim como se nosso domínio de francês e inglês era compatível com o que tínhamos declarado, e que ao final da entrevistas ela nos informaria o resultado da sua avaliação.

De início as perguntas foram básicas e previstas : “qual a data de nascimento ?”, “vocês são casados ?”, “Rosilene, mudou o sobrenome de solteira ?” essas coisas. O interessante é que ela praticamente não conduziu as respostas para que fossem exclusivamente minhas ou da Rosi, ambos respondíamos livremente. Foi solicitado nossa certidão de casamento, nossos passaportes e nosso histórico da graduação. Ela verificou detalhadamente (inclusive o histórico da graduação) e então se virou para digitar no computador.

Ao dirigir novamente a palavra a nós, solicitou que eu explicasse em que área eu era formado e o que eu fazia atualmente. Expliquei a ela que eu era formado em Ciência da Computação e que atualmente eu me dedicava inteiramente aos projetos que desenvolvo pela minha empresa. Ela então notou que eu dava aulas quando enviamos os formulários, daí tive que explicar que eu deixei a faculdade onde lecionava e mostrar a minha carteira de trabalho. Ela verificou que estava tudo correto e se dirigiu a Rosi.

Perguntou qual era a formação da Rosi e o que ela fazia atualmente, ela explicou que era formada em Ciência Sociais e que trabalhava com um grupo de pesquisa em Montreal. Ela reagiu positivamente com um “super” contido e pediu que a Rosi explicasse o que exatamente ela fazia, a qual explicou prontamente. Após isso ela perguntou pra Rosi como especificamente um Antropólogo atua fora da academia ( hã ??????? ). Rosi ficou bastante nervosa e tentou quase que fazendo mímicas explicar algo que não tínhamos treinado (burrada nossa) e difícil até de elaborar em nossa língua nativa. Parecia que ela não entendia nada, mas finalmente disse que estava bom e que foi possível compreender.

Foi então que ela se virou para mim e perguntou para demonstrar que a empresa estava com toda documentação em dia, apresentei a papelada e quase achando que estava livre ela disse que eu havia citado um projeto com uma empresa americana, e quis que eu detalhasse mais essa experiência. Bom, me acalmei e falei o que tínhamos treinado. Foi então que ela me perguntou para detalhar ainda mais esse projeto, e dizer o que exatamente o sistema desenvolvido fazia ( quê ???? ). É nessa parte que eu comecei a me apavorar, mesmo sabendo (é óbvio) o que havia sido feito no projeto fiquei nervoso pois ela queria detalhes como, quais eram as empresas envolvidas, qual o propósito do projeto, quanto tempo demorou, o que o sistema fazia etc. Bom, daí foi minha vez de atuar no meu melhor estilo “mim tarzan, você Jane” e tentar me desenrolar. Quando eu não sabia mais o que fazer ela se prendeu ao fato do projeto envolver a Polar, e me disse “aquela que faz os relógios e a cinta pra batimentos cardíacos ?”, confirmei e ela soltou outro “super” contido e encerrou essa etapa (UFA).

No restante ela pediu pra Rosi o que ela pretendia fazer ao chegar em Montreal e o mesmo para mim. Perguntou o porquê do processo de imigração, e respondemos que de modo geral tínhamos o desejo de ter uma melhor qualidade de vida (bem clichê, mas é verdade poxa ! ), ela deu um sorriso e disse que era para detalhar melhor essa “qualidade de vida”. Como tínhamos treinado isso não foi complicado.

Alguns segundos de digitação no computador e ela se virou para mim e me perguntou em inglês “você fala inglês ?”, respondi que sim e ela me perguntou como e quando eu havia estudado a língua, respondi que havia feito um curso de 4 anos em paralelo com minha graduação mas que estava há muito tempo sem estudar. A única coisa além disso que ela me perguntou foi se eu me comunicava em inglês nos projetos com a empresa americana, respondi que com o dono da empresa não por se tratar de um brasileiro mas que com os demais sim, ela largou um “ok” e seguiu digitando.

Após alguns longos minutos ela imprimiu um monte de páginas, pegou elas e começou a assinar, assinar, assinar com uma cara bem séria. Nessa hora eu pensava, deu certo ! deu certo ! Foi então que ela olhou para nós dois com um sorriso (contido ! ) dando os parabéns e que havíamos sido selecionados pelo Québec. Nos entregou as vias do CSQ, nos explicou rapidamente quais os próximos passos e gastou mais uns 5 minutos nos fazendo recomendações sobre mercado de trabalho.

Por fim, perguntou se tínhamos alguma dúvida, respondemos que não, nos levantamos, cumprimentamos ela e saímos da sala.

/* —– FIM DA FALA EM FRANCÊS —- */

Eu fiquei em estado de choque, não caiu a ficha na hora. A sensação é indiscritível, pareceu que uma tonelada havia sido tirada de nossas costas, é um momento realmente único.

Combinamos que iríamos ligar para a família e amigos somente no hotel, pois senão iríamos começar a chorar ali mesmo ! Passamos na americanas, compramos dois potes de Häagen-Dazs ( 😉 ) e fomos para o hotel.

Como previsto ao falar com meus pais e minha irmã eu me acabei em chorar, e Rosi do outro ligando pra família.

Algumas questões que gostaria de compartilhar:

– Apesar da entrevista ter sido rápida (cerca de 30 minutos) foi muito mais difícil do que imaginávamos, fomos pegos de surpresa várias vezes.

– Acreditamos que pelo fato da Rosi já ter algo encaminhado por lá a entrevista foi muito mais pesada pra ela do que normalmente é para os não aplicantes principais.

– Apesar dela falar bastante rápido, o francês era super compreensível.

– No nosso caso ela só conferiu a documentação citada no relato, todo o resto (detalhes de cada experiência profissional) ela não solicitou.

– Para aqueles que têm empresa eu levei notas fiscais e tudo o mais, mas apenas as negativas de débito com o fisco foram suficientes, entretanto eu tive que explicar o que cada uma delas atestava ( 😉 )

– Sentimos que a entrevista é realmente para verificar o nível de francês, não se você é fluente, mas se você se comunica bem, ou seja, se não vai passar fome com o que sabe, assim como se você não deu uma de esperto e declarou uma fluência que não existe.

Pretendo adicionar mais detalhes a medida que for relendo o relato, e também adicionarei mais percepções da Rosi, já que a entrevista foi bastante completa pra ela.

Aproveito para agradecer todos os nossos amigos e familiares que nos acompanharam até agora, sabemos que o sentimento é de alegria e tristeza ao mesmo tempo. Àqueles que por ventura nos expuseram argumentos contra nossa decisão, também agradecemos, pois a partir dessas discussões tivemos a oportunidade de repensar o que estávamos fazendo e enxergar a questão sob um ponto de vista diferente, o que por fim fortaleceu nossa decisão.

à bientôt mes amis ! e desculpem a demora em escrever, a malandragem foi proporcional a felicidade !

Mauricio S.

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  1. Thiago Ocampo
    13/07/2010 às 17:28

    Mauricio,
    PARABÉNS pela conquista e pelo relato. Ajuda mto àqueles que como eu estão ainda aguardando sua vez. Acho q o nervosismo deve atrapalhar demais na entrevista e espero poder saber controlar o meu na hora H.
    um forte abraço!

  2. P
    13/07/2010 às 14:35

    parabéns! cara, o coração quer sair pela boca, a gente sua loucamente, a mente fica até confusa. quando a gente sai da salinha leva um pouco até se estabilizar de novo. rsrsrs
    concordo que em geral a entrevista é mais proforma combinado com avaliação do nosso francês. e, sim, tem que treinar falar da parte técnica do trabalho, até porque você vai fazer isso por cá, na busca por empregos.
    o importante é csq na mãozita!

  3. Rafael
    13/07/2010 às 11:13

    Parabéns Maurício! =D
    Ainda não postei comentários no seu blog mas venho o acompanhando há algumas semanas. Sou antropólogo (de brasília) e queria muito falar com vcs porque, bom, pelo menos até agora, a Rosi foi a única antropóloga de quem eu soube até agora que tentou (e conseguiu) visto pra Québec =)

    E fiquei ainda mais curioso depois do post da entrevista, já que eu não sabia que ela já tinha um grupo de pesquisa em Montréal. Do que é esse grupo exatamente? É uma pesquisa remunerada? Como que foi esse contato? Ainda conheço pouco as possibilidades de trabalho e de pesquisa na área de antropologia no Québec e, se vc me desculpar a inevitável intromissão curiosa, queria muito saber mais! =D

    Abcs, e parabéns!
    Rafael.

  4. 13/07/2010 às 08:53

    Olá!

    Parabéns pelo CSQ e muito obrigada por relatar com detalhes como foi a entrevista de vocês. Como vou passar por isso ainda, nunca é demais saber como foi a experiência de outras pessoas.
    Desejo que vocês tenham o mesmo sucesso na etapa federal desse processo. Tudo de bom pra vocês!

    Aline

  5. Les Lapins
    12/07/2010 às 23:49

    Eeeeeh!!
    Häagen!! adorei!! Esses sao apenas dois potinhos de muitos que virao!
    Realmente essa sensaçao de alivio, medo e um container saido de cima dos ombros é indescritivel. E de sucesso né minha gente, pq. fala sério, é um sucessao!! Quanta gente nesse mundo nao queria um bilhete premiado deste e a gente chega lá?

    Bjocas e mais uma vez parabéns!
    Erika
    PS: Häagen em promoçao no IGA essa semana hein! Com calor e sabores ediçao limitada inclusos! sim, aqui tem disso! rsrs

  6. Ricardo
    12/07/2010 às 19:02

    Eu jah sabia ! Bravo !

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